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segunda-feira, fevereiro 24, 2014

QUEM TEM MEDO DE JOAQUIM BARBOSA?

Por Nilson Borges Filho (*)
Embora seja improvável a candidatura do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, à presidência da República, nem por isso o desconforto deixou de existir nos gabinetes do Palácio do Planalto. Barbosa falou demais quando desprezou o sistema partidário brasileiro, chamando-o de “partidos de mentirinha”. Pior: o ministro não abriu exceção. Colocou todas as siglas no mesmo saco. A rigor, Barbosa não está errado, pois ideologia e ações programáticas passam ao largo dos 39 partidos existentes. E a melhor maneira para saber se existe diferença entre os partidos basta coloca-los no poder.
No Brasil nenhum partido surgiu da sociedade civil, todos, mesmo o PT, foram criados dentro da estrutura do Estado. Lula deu início ao PT a partir das organizações sindicais e de intelectuais de esquerda instalados nos laboratórios das universidades públicas. Formaram o bolo da “esquerda caviar” artistas e frações  da classe média deslumbrada. À época era – como dizer? – chiquérrimo ser petista nos bares da orla sul do Rio de Janeiro e ou  dos Jardins de São Paulo. Hoje não mais, a classe média acha de extremo mau gosto ser petista, principalmente depois que estourou a bandalheira do mensalão.
O Lula barbudo cultuado na década dos 80 por essa gente de bons hábitos se transformou no semianalfabeto, metido em ternos caros, que está se achando. Lula perdeu o glamour do guevarismo de botequim e passou a ser o alter ego da turma do bolsa-família, da classe média de baixa renda e de empresários bajuladores e espertos. O Lulinha paz e amor de antes é hoje, para a turma do andar de cima, aquele homenzinho vulgar nas palavras, no comportamento e na escolha das “rosemarys”.
As pesquisas endossam a tese de que depois desses doze anos o lulo-petismo perdeu o prazo de validade e que já se percebe fadiga de material. Os bem-nascidos viraram a cara para o petismo, mas não sabem para onde ir. As opções colocadas no cenário para o pleito deste ano ainda não emplacaram. É nesse vácuo que aparece a figura de Joaquim Barbosa, “o justiceiro” que colocou gente poderosa na cadeia, desde políticos estrelados e corruptos a banqueiros vigaristas. O povão adorou: a cadeia agora é para todos. A classe média bem-nascida encontrou o seu herói do dia: o implacável.
Nas mídias surgem os defensores da candidatura de Barbosa à presidência. Os exaltados, com certa acidez e uma ponta de preconceito proclamam: “elegemos um analfabeto, depois uma mulher e agora chegou a vez de um negro”. Como se a cor e o gênero de um governante fossem critérios válidos para ser um estadista.
O medo da candidatura de Barbosa deve-se principalmente porque o ministro dialoga diretamente com as ruas, sem necessidade de passar pela intermediação de um partido político. Forçando a mão, alguns analistas políticos trazem para o debate o fenômeno Jânio Quadros dos anos 60 para enquadrar a candidatura de Joaquim Barbosa como um outsider da política nacional. Bobagem. Com um sistema de presidencialismo de coalizão, a eleição de um presidente descompromissado com partidos políticos pode levar o país a um processo sem volta de ingovernabilidade. Melhor um Congresso podre do que Congresso nenhum.
Portanto, cabem a Aécio Neves e Eduardo Campos conseguir que os 61% dos que não aprovam o governo de Dilma Rousseff se encantem com suas candidaturas. Existe no imaginário popular uma possibilidade mudancista. Resta saber se a oposição está qualificada para assumir esse compromisso.
Do jeito que está, dizem os brasileiros que pensam, não dá para continuar: inflação, juros na altura, o setor produtivo patinando, uma carga tributária obscena, as contas públicas sem controle, o mercado nervoso, uma política externa de canteiro de obra, violência nas ruas e no campo, desrespeito ao Estado de direito, insegurança jurídica, grupelhos de vândalos se apossando das ruas, um governo medíocre e predatório, um legislativo vendido, um judiciário aparelhado e uma presidente completamente despreparada para o cargo que não consegue juntar três palavras com algum sentido. Esse é o quadro do Brasil de hoje que, se mantido, pode ainda piorar. Chegamos ao fundo do poço. É o horror.
(*) Nilson Borges Filho é mestre, doutor e pós-doutor em Direito e colaborador deste blog.

5 comentários:

Unknown disse...

Não concordo que a falta de um partido inviabilize a candidatura dele tanto assim!!
Pode até ser uma vantagem!!
Talvez isso faça com que naturalmente ele seja cercado por politicos que pensem como ele mas nunca tiveram espaço, já que o que impera nos ultimos anos é essa podridão que todos conhecem!
Quem sabe, esse seja o primeiro de muitos homens honrados que ainda temos nesse país??

Anônimo disse...

Dt Barbosa é sensato para não entrar numa fria. CINISMO. Enquanto na Internet blogueiros pagos lançam insultos racistas como o blogdadilmaa ao negro Barbosa , a aborteira pede ao papa francisco condenar TODOS os "preconceitos" inclusive o racismo...o que a turma dela faz com o Barbosa não é racismo.....então tá.

Samir disse...

Seria interessante se o Barbosa ou Jair Bolsonaro (tb sou filho de militar) se lançassem a candidatos....Porém sendo bem realista como comentei no blog do Mascate, vejo a eleição de 2014 da seguinte forma, ou o PT ganha com bolsa família ou o PT frauda a eleição a favor. Infelizmente é o que eu penso.

Anônimo disse...

Calma gente!
Esse negócio de salvador da pátria pode não acabar bem.
Um governo totalmente aparelhado em toda a sua extensão. Do Judiciário ao Ministério A, B, C,..., passando por IPEA, CADE, Agências Reguladoras e demais autarquias, onde gente que ocupa cargos muito bem remunerados não querem perder seus privilégios.
Um país onde a oposição inexiste como protagonista de mudanças consistentes e bem diferentes do que aí está.
A mudança só ocorrerá quando uma totalidade, muito acima da média do que hoje existe, se manisfestar de forma clara e convincente. Ainda há muitas dúvidas e gente em cima do muro. Principalmente de quem recebe um esplêndido apoio financeiro. Pensem bem!
Odilon Rocha JP/PB

Anônimo disse...

O mestre, doutor e pós-doutor em Direito Nilson Borges Filho, prefere um Congresso podre a Congresso nenhum??? Mas não são apenas essas duas opções! Desde quando uma mudança radical, de qualquer coisa, o resultado é zero, ou nenhum? Isso está mais me parecendo conversa de conformista, talvez até um petralha enrustido.